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Procissão de Maldizer Impaciente

Hollywood

Postados como cerejas

de um mundo

imaginário

 

Contenção farsante de enunciação

amarrada na coleira suja do capital

Ou sera ingenuidade boçal

requintada de charme?

 

Deve ser herança da nobreza

de barrigudos achatados que se professam

Em glamourização como corpos celestes

 

Corrobora através da pelagem intocável

a sobriedade moral

incontestável para a massa

de primatas delirantes

O Amanhecer dos Jovens 

Manhã latindo barulho confuso

de sangue fresco agitado

e borbulhando bobagens primatas

 

Numa Impulsão Constante

de lampejos afirmativos e ansiosos

É uma carapuça de retalhos frágeis

Compondo a carcaça encharcada

de animosidade contemporânea

 

Num Esforço tremendo pra esconder a cretinice

do seu ser

ou até a meter-se sua língua num asfalto

seco

quente

irregular

pisoteado

tudo por um visto da vagina perseguida

 

O Borbulhar animal do sujeito vazio

Obsessão finita como a do tempo

de espasmos num amanhecer apressado

 

E depois como um coelho túrgido

põe-se a restabelecer-se

na sua insignificância de uma larva.

Eu já morri

Do imaterial me preenchi

As manhãs e as noites invisíveis

Apagaram as manhãs e as noites visíveis

 

Nem faria caso disso ou daquilo

A plasticidade disso é insensível

E com prazo de validade vencido

 

Sempre que a porta abre

Ela me puxa

E eu nunca mais quero voltar

 

Entretanto ser um animal

Não me permite ascender

A vela infinita do não ser

 

Mas há o casulo trancado

persistente, ele me puxa pelas pernas

eu até tento mas quem ganharia essa batalha

Enfim ele envolve-me em sua entranha primata

 

A porta abre ao som duma bela canção

E envolve na dança, o meu coração

Ele implora à razão “Nunca mais quero sair daqui”

 

A cinzenta razão adverte

Seu recinto é um casulo trancado

O puxa pelas pernas

E o envolve em sua entranha primata

O Triunfo Final

Na floresta negra, um caminho se abre,
De lago prateado, rasteiro e sereno,
Polido pelas pegadas que ali se constroem,
Em poças interligadas, braços estreitos, simetria emena.

 

Compostura de catedral bizantina,
Entre meandros simétricos e forma divina,
Losango aberto, leve ao sopro do vento,
Modela-se como argila, a mão do tempo.

 

O solo, na mata negra, cheira a verde virgem,
Suga os pés, educadamente, em sua alquimia,
Esculturais amontoados de areia barrenta,
Esculpidos pelo toque da natureza, poética harmonia.

 

Na ponta da percepção, a chama dança,
Visão inédita, fogo eruptivo e fascinante,
Coluna rochosa, imponência preponderante,
Testemunho do encontro, convergência acalorada e vibrante.

 

Escadarias enfileiradas como vértebras jônicas,
Elegância gótica, pedra gasta, intemperismo plástico,
Passo a passo, léguas aparentes em uma só,
Harmonia no movimento, lapidar autoral.

 

Caminhar divino, modelante a novas dimensões,
Agonizantes grunhidos, ardor que late,
Chegada triunfante, reinante como leão,
Antro fechado aos céus, multidão avassalante.

 

O sorriso cósmico, primata alçado à brincadeira,
Despertar na manhã rural, asfalto cheiroso,
Complexo vitoriano, peças minuciosas se encontram,
Presença eterna da plenitude, brilho esplendoroso.

Tarde Chuvosa

Nos céus, um lamento silente ecoa,
As gotas de chuva, sem direito ao descanso,
A terra, privada de se renovar e florescer,
Enquanto telhados portáteis se abrem, 
Vejo além do estático retrato, a premissa de movimento,
Como telas indicando dinamismo, 
Não ludibriação, mas arte do bruxo,
Capturando a pausa continua, emoldurando a sequência.

 

Era o clamor celeste, êxtase ou desolação,
Expulsava suas gotas, novas ou velhas,
Direcionando-as ao fim ou ao início,
Os céus como pais, as gotas como filhas da vida.

 

As crianças brincam com esses corpos d'água,
Que poderiam ser sementes da terra,
Mas encontram apenas diversão efêmera,
Longe da vida, sementes dispersas no asfalto.

 

Jovens e sementes, em direção à vida,
A esperança do crescimento, da vida plena,
Mas encontram apenas o cinzento do asfalto,
Longe da terra macia e doce.

 

Velhas e mortas, gotas despidas de vida,
A natureza as expulsa, cedendo espaço ao novo,
Em cemitérios exorbitantes de populações de gotas,
Sem o final digno, sem encontrar a terra para seus corpos.

...

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